7 de mar. de 2010

Primeiro amor e suas consequências


Sempre que estamos em igrejas, ou mesmo no meio de pessoas cristãs, é raro não ouvir pelo menos um jargão gospel. Pode ser desde o simples cumprimento: "Paz do Senhor" ou o clássico: "Jesus te ama.!", mas sempre estão lá fazendo parte do nosso cotidiano.

Um que sempre me incomodou muito foi o tal de "primeiro amor", e o modo como ele é traduzido é ainda mais complicado. Esse termo é tido como um nome para a euforia dos novos-convertidos... aquela alegria que nos invade e nos faz querer trabalhar vinte e quatro horas por dia pra obra.. que nos faz querer sair pela rua contando pra todo o mundo a obra que Cristo fez em nossas vidas.! E quão bom é esse sentimento.... mas com o passar do tempo vemos que não é bem assim e acabamos indo de encontro com a realidade e o mundo que nos cerca.
Esse problema é o encontrado no texto de Apocalipse 2:4 que nos apresenta a carta enviada a Igreja em Éfeso e que Deus lhe diz: "Tenho contra ti que deixaste o primeiro amor".

Isso sempre me martelou a mente, pois como filho de pastores fui criado na Igreja desde o nascimento. Tive minha "conversão" (levantei a mão e fui à frente) aos dez anos e desde então permaneço firme na fé (Graças a DEUS.!), e por conta disso não vivi esse tão falado primeiro amor. Como tantos outros criados na Igreja, não tive esse momento de euforia com a conversão, pois convivo com ela desde meu nascimento e sou incapaz de crêr que Deus tenha tomado isso contra mim.

Quem não se lembra do primeiro amor que teve em sua vida.!? Aquela primeira namorada(o) que tanto marcou nossas vidas. No meu caso foi algo um pouco diferente dos padrões, visto que ela morava em São Paulo e eu em Espírito Santo.. mas isso não impediu o namoro de 1 ano e 7 meses de dar certo. Uma vez eu cheguei a trabalhar dois meses para juntar dinheiro e poder viajar 14 horas de ônibus simplesmente para estar com ela no dia dos namorados... mas com o tempo, e as circunstâncias, o namoro acabou, houve decepção, mágoas, desapontamentos.... e demorou até eu conseguir me entregar a um namoro novamente.

Creio em um primeiro amor diferente do descrito por tantos em nossos dias... creio que o que Deus busca em nossas vidas é uma entrega, um compromentimento, como quando nos apaixonamos pela primeira vez... quando faziamos tudo pra conseguir um sorriso da pessoa amada.!

Deus busca em nós um amor sem reservas, um amor que se entrega sem medo de ser magoado ou de não ser retribuído... um amor maduro que sabe o que quer e conhece quem é o alvo desse amor.!

Eduardo Galvão